Comparações
Hoje saí de casa um pouco mais calmo, mas carregado como de costume com miúdos para levar à escola, boleia da minha mulher até à estação do comboio.
Carrego comigo um livro de Camilo José Cela, abro-o pela primeira vez e logo concluo que não é um livro para se ler num comboio.
A carruagem vai se enchendo a cada estação que para.
Continuo a ler o meu livro, abstraio-me do que me rodeia.
Guardo o livro e saio na estação de Sete Rios – porquê este nome?
Caminho como um autómato, como todos aqueles que invadiram a grande estação de Metro. Reparo que as mulheres estão vestidas todas, ou quase todas, da mesma forma, com as calças a tornear, a moldar, a aconchegar nádegas redondas, umas um pouco mais que outras, mas, mesmo assim, muito semelhantes. A grande maioria tem o cabelo castanho claro, quase loiro, a maior parte pintado, maquilhagem ligeira, peitos apertados um contra o outro, de forma a salientar a sua voluptuosidade, mesmo quando são pequenos – temos de ser atraentes, mesmo quando não o somos.
Entro no Metro, apertado, encosto-me à porta contrária à que entrei, desta vez não abro o meu livro, não é, definitivamente, um livro para se ler no comboio, muito menos no Metro.
Começa novamente a dança da entrada e saída de pessoas, todos iguais, ao mesmo ritmo, frenético, continuam a entrar e a sair meninas de rabos iguais e de mamas salientes, tenho a sensação que vão todos para o mesmo sítio, que trabalham todos na mesma empresa, e que já saem fardados de casa.
Entram dois homens, de tenra idade, de olhos claros e não se percebe absolutamente nada do que dizem, têm aspecto de namorados – passa uma velha a pedir uma ajudinha para comer, ao fim de 87 anos arranjou uma colocação numa empresa de esmolas – carta postal para os homens de olhos azuis comentarem, não sei o que dialogavam, mas tenho a certeza que era sobre este infeliz cenário português.
Marquês de Pombal, aqui o fluxo de gente tipificada é maior.
Restauradores, abandono o Metro e dirijo-me a uma pequena cafetaria, onde, após esperar três ou quatro minutos, lá consegui beber um café – sem açúcar, é a minha nova experiência. A seguir a mim, mais uns tantos gémeos.
Saída da estação mais dois cartões postais da cidade de Lisboa.
Estacionamento que fica perto da “antiga” estação do Rossio, onde as paredes estão pintadas de mijo – lá está o tipo que estaciona carros e fica com chave dos carros, o chaveiro.
Subo as escadinhas, passo pela GNR, Largo do Carmo, Misericórdia, Bairro Alto, merda de pombo por todo o lado, entro no edifício, subo as escadas, começo a dizer bom dia a todos com que me cruzo – ainda sou bem educado – entro na minha sala, já lá estavam os meus colegas – Bom dia pessoal.
Ligo o computador, discuto um pouco de futebol, política é raro conseguir discutir por aqui.
Vejo os meus mails.
Word, e começo a escrever estes apontamentos.
E é isto todos os dias – nem sempre escrevo, aliás já não escrevia há bem mais de um mês.
A tipificação da minha vida.
Está, definitivamente, na altura de mudar.
Depois de ter calado Marcelo Rebelo de Sousa, agora o Estado quer controlar o que se passa no canal estatal.
Não é por a RTP ser um canal estatal que o Estado tem autoridade para se pronunciar sobre a grelha de programação desse mesmo canal, claro que ao controlar todo o canal o governo podia controlar as pessoas, os intervenientes, os conteúdos, pôr a falar quem mais interessa, pessoas do tipo do Luís Delgado.
Controlar as massas.
Depois da TVI, só falta mesmo a SIC, mas o Dr. Balsemão é do lado Cavaquista, poderão não ter tanta sorte, e, provavelmente, não irá entregar o traseiro para que lhe possam aplicar a injecção com a maior das naturalidades.
A aplicação deste «índex» das novas tecnologias, é algo cada vez mais próximo da censura, mais próximo do Estado Novo, é cada vez mais evidente a tentativa desesperada, por parte deste Governo, de controlar a opinião pública.
Estamos no limiar da ditadura disfarçada de democracia.
Ao que parece o Sr. Pedro muito tem aprendido com o Sr. Alberto, a monopolização dos média é hoje mais do que evidente.
Fala primeiramente ao povinho sobre o Orçamento do Estado, em vez de falar no Parlamento, monopoliza a televisão estatal, como se tivesse direito de antena assegurado, direito de antena do governo, ou melhor, do PSD na imagem do governo.
Afigura-se numa postura, nunca antes vista desde a sua indigitação, com óculinhos na ponta do nariz, gestos precisos, imagem estudada, não tivesse ele um consultor de look. Fala-nos de coisas estranhas, baixar o IRS, aumentar os vencimentos, baixar o défice, etc. Não se refere uma única vez ao facto do Sr. Félix querer retirar benefícios fiscais aos vários planos de poupança mais utilizados pela classe média, além de se contradizer por completo com o Sr. Félix.
Muito o Sr. Pedro tem aprendido com o Sr. Alberto, que tem um jornal controlado pelo Estado, caso único. É verdade que tem uma imagem um pouco diferente, agora é um homem com responsabilidades governativas ao mais alto nível, pôs um ar solene, anda com uns óculos na ponta do nariz, quer dar um ar de avô precoce, quer mostrar experiência, que não tem, quer mostrar notoriedade, que não tem. Uma coisa o Sr. Alberto e o Sr. Pedro, mais do que nunca encostado à direita, têm em comum, ambos têm ar de ditadores, bom o Sr. Alberto é o verdadeiro exemplo de como se pode ser ditador numa democracia.
Num espaço de uma semana Portugal, na figura do governo, consegue perspectivar negativamente o futuro das pessoas que habitam este país solarengo e socialmente calmo.
Desde a saída do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, como comentador no jornal da TVI aos domingos, que a casa parece que está a ir a baixo a uma velocidade vertiginosa.
Hoje o primeiro-ministro irá falar ao país sobre, com certeza, a «sua» realidade política do país, e as «suas» soluções para contornar a difícil situação em que o governo e o pais se encontram.
O certo é que cada vez mais os portugueses estão a pagar facturas cada vez mais caras.
O pagamento de novas portagens, sem que existam alternativas coerentes, o custo cada vez mais alto da saúde e dos medicamentos, o aumento das importações, criando um défice mais profundo, os aumentos consecutivos dos combustíveis, por consequência, o aumento dos transportes públicos. Na realidade o aumento dos combustíveis deveria ser tomado como medida não para aumentar os transportes públicos mas sim para atrair mais pessoas à sua utilização, evitando o movimento massivo de automóveis que diariamente entram nas grandes cidades, a lembrar que Portugal é um dos país da UE em que o automóvel é o meio de transporte mais utilizado, tendo o seu aumento crescido agressivamente nos últimos 10 anos.
Segundo parece no próximo Orçamento de Estado irá constar um decréscimo no sector da saúde, realmente para quê investir na saúde ou na educação dos portugueses, somos todos saudáveis e temos tantos licenciados no desemprego que se formos investir ainda mais na educação universitária é estar a contribuir para um aumento do desemprego, o melhor é realmente deixar de investir na educação para ver se desemprego baixa um pouco.
Para quê investir em infra-estruturas hospitalares? A minha filha está internada no Hospital D. Estefânia, onde as condições não são as melhores, mas posso dizer que já vi pior, o certo é que quando chove os corredores ficam simplesmente inundados, as salas são frias e não estão calafetadas, o que quer dizer que mesmo com o aquecimento ligado continuam frias e acaba por existir um grande desperdício de energia. Baixar o investimento na saúde? quando temos sérias debilidades nos hospitais e no Serviço Nacional de Saúde. Os Hospitais SA parecem ser uma boa ideia, mas em que moldes? Pouco se sabe sobre este assunto.
Há muita coisa a mudar neste país.
Sugiro que se deva começar por baixo, pela base, ou seja, pelo próprio governo, no qual só obteve um único «voto», o do Sr. Presidente da Republica Portuguesa e o de mais ninguém.
O Dr. Pedro Santana Lopes é primeiro-ministro não por meio democrático, constitucional, mas não democrático.
Gostaria de acreditar que o seu discurso à Nação seja breve e com tons de despedida e que convide o país a eleger um novo governo, de forma democrática.
Já agora que, caso deixe o governo, não volte a escrever crónicas, muito menos as desportivas no jornal “A BOLA”.
Ter escravos não é nada, mas o que se torna intolerável é ter escravos chamando-lhes cidadãos
Denis Diderot
Mais do que chocado, sinto-me envergonhado pelo meu país
In Público
Ando a sufocar com tudo o que se está a passar neste país e até na minha vida profissional.
Na empresa onde trabalho tudo funciona um pouco à imagem deste país em que vivemos (sobrevivemos). Aumentos nem vê-los, qualidade de chefia muito pouco; processamento da gestão de topo não passa de encher uns quantos bolsos a meia dúzia de doutores e engenheiro; qualidade ambiental no trabalho não passa de umas salas com mesas ao monte com máquinas espalhadas por todo o lado, sem harmonia; higiene e segurança não passa de irmos ao médico uma vez por ano (não ponho lá os pés há pelo menos dois anos), o ar condicionado está numa lástima devido à quantidade de sujidade; só se espera que o prédio vá a baixo, que seja de preferência quando eu não estiver lá.
É um pouco como este governo, Aumentos nem velos; a gestão de topo é mesmo só para encher os bolsos aos amigos(as), para irem para CGD, por exemplo; qualidade ambiental é o lixo e a poluição que se vê, fogos em larga escala todos os anos num país de pequena dimensão; Higiene e segurança é pouca, muito pouca, com criminalidade a aumentar, e a tentativa de taxas moderadoras diferenciadas na saúde é retirar benefícios e regalias aos mais pobres.
Realmente a empresa para onde trabalho é extremamente idêntica ao nosso país: está quase a ir a baixo.
Acusar a Sra. Ministra da Educação da grave situação dos professores, resultante da falha que existiu e existe nas colocações destes, não leva a lado nenhum, até porque a Ministra Maria do Carmo Seabra herdou um problema gerado pelo anterior ministro.
Quero acreditar que a ministra está a dar o tudo por tudo para resolver o problema que afecta milhares de professores, bem como as famílias dos mesmos e, com especial atenção, os milhares de alunos que vão ver as suas aulas adiadas por mais uma ou mesmo duas semanas.
Se temos de apontar o dedo a alguém será certamente ao ex-ministro da educação e ao “seu” programa informático. Se alguém tem de explicar o que está a acontecer é este senhor que arrebentou com o sistema de ensino em Portugal, podia não estar bem, mas pôr os professores num tubo de ensaio e esperar que o resultado final seja algo definitivo e imediato, logo da primeira vez que se faz a experiência é irresponsável.
Agora só nos resta esperar que a ministra consiga resolver o problema o mais depressa possível e que na sua comunicação aos docentes seja sincera e honesta.